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Mostrando postagens de março, 2021

Cansei de ser sexy - e outras mentiras que contamos para o espelho

Se existe uma coisa em que eu era péssima quando criança era usar vestidos. Eu não sabia sentar de pernas fechadas, erguia a saia acima da cabeça para fazer graça e vivia sentada no chão, no muro ou em cima de árvores. Me diziam que era feio uma garotinha se portar assim. Demorei muito tempo para entender que, na verdade, nunca foi para o vestido que as pessoas olhavam. Confesso que realmente nunca tive muita classe. Sei me portar em sociedade, aprendi nos livros. Mas nunca me importei tanto com parecer comportada. Pelo contrário, sempre admirei as pequenas liberdades sociais das quais minha geração tanto se beneficia. As lojas de departamento vendem roupas de todas as cores, larguras e comprimentos. A preços módicos, por isso mando um salve para a importação de produtos supérfluos da China, graças a isso tenho um shortinho para cada dia da semana no meu armário. Desde a invenção da palavra feminismo o comportamento das mulheres ganhou muito mais liberdade e consciência de si próprio. ...

Quando o pão vira cerveja

Todo mundo sempre brinca que deveria ter um blog de dieta. "Como ser bonito e saudável tomando cerveja e comendo o que quer?" Sim, parece que descobri o segredo do universo. Aprendi um pouquinho sobre nutrição, troquei o pão pelo vinho e voilá: temos bebidas e comidas maravilhosas inseridas na dieta. Não na dieta pra emagrecer, mas naquela para viver bem. Pra quem não sabe, eu sempre fui gordinha. E sempre odiei isso. Desde que me entendo por gente, estou tentando ser mais magra. Há alguns anos tenho conseguido controlar meu peso, trabalho com limites. Se chegar aos 62 kg preciso me controlar, se chegar aos 65 é desespero, e se baixar dos 60 solto fogos. Funciona para mim, só cheguei nesse peso no final da adolescência.  Por alguns anos sofri muito com meu peso, que nem era tão absurdo. Mas quem já tentou emagrecer sabe que é tudo sobre números, e no fim os números não importam. Ninguém nunca está satisfeito o suficiente, nunca estamos bonitas o suficiente. Ainda assim, tenho...

Precisamos falar sobre a pandemia

Certa feita li sobre um experimento em que o mundo se invertia. Um pesquisador chamado  Theodor Erismann resolveu testar a capacidade de adaptação das pessoas a possíveis mudanças no universo. Criou um óculos com um sistema de espelhos que fazia com que a pessoa que usasse os óculos enxergasse o mundo de ponta cabeça. Um aluno dele serviu de cobaia e usou, com muitas dificuldades, os óculos por alguns dias. Cerca de 10 dias depois essa cobaia passou a achar normal o mundo através dos óculos, como se tivesse se endireitado. Depois de habituado a esse "novo normal", ao tirarem os óculos o aluno teve dificuldades em entender o mundo novamente, levando dias para se habituar à nova relalidade. Meu ponto é: Podemos nos adaptar a qualquer coisa. Nunca entendi como as pessoas podiam viver por anos em guerra, ou em cativeiro. Pois bem, há um ano me pediram para passar 15 dias dentro de casa, que tinha um novo vírus altamente letal ameaçando o planeta, e iríamos segurar o contágio faze...

Nada de especial

Provavelmente a lição mais difícil que tive que aprender na minha vida foi que eu não era especial. Passei toda a minha infância acreditando que eu era mais inteligente que os outros. A facilidade que eu tinha de compreender as coisas era fascinante, ou parecia para mim. Sempre senti que via o mundo de forma diferente, e que as outras crianças não me compreendiam. Por isso nunca consegui fazer amigos da mesma idade que eu, sempre eram mais velhos. Aliás, sempre gostei de jovens adultos. Eu realmente era acima da média na escola, com nenhum esforço. Pelo contrário, eu não me importava. Simplesmente folheava os livros didáticos e isso era suficiente. Além disso gostava de escrever, o que ajudava muito a fazer de conta que entendia das coisas. Isso fez com que eu me sentisse uma artista e fosse completamente engajada em tudo o que envolvesse artes, política ou cultura e que eu tivesse acesso. Vale ressaltar que eu morava em uma cidade pequena, estudei em muitas escolas (a maioria com ...